Muito antes do surgimento da escrita os seres humanos perpetuavam suas histórias e sua cultura por meio da oralidade. Essa forma de expressão perdeu prestígio com o advento da imprensa e a democratização da leitura. Até meados do século 20, quando ainda não havia rádio e TV, as pessoas tinham o hábito de se reunir em casa, em suas comunidades, perto do fogão à lenha ou da fogueira, para contar causos, cantar, fazer brincadeiras com os sons das palavras, trocar receitas e crendices, garantindo a manutenção da cultura popular oral.
Usados em todas as partes do mundo, em centenas de idiomas sobrevivem os ditados, pela força da oralidade. Alguns chegaram ao Brasil traduzidos de outras línguas, outros foram criados a partir da sonoridade da língua portuguesa.
Toda língua possui frases e expressões que fazem sentido em algum contexto específico, com significados próprios de acordo com a cultura local. Muitas vezes são compostas por palavras empregadas de forma diferente do seu sentido literal.
Crendices e superstições existem há muito tempo. No Brasil sempre fizeram parte da cultura indígena dos povos nativos e ganharam reforço com a chegada dos portugueses. Mais tarde, somaram-se a cultura africana e a dos imigrantes vindos de diversos países europeus.
O medo e a dúvida estão na base do nascimento das crendices, que tentam explicar o incompreensível. Para o folclore, crendice é a fé em coisas que a lógica não explica. A superstição segue o mesmo pensamento, porém inclui o medo das consequências pela realização ou não realização de algum procedimento.
As superstições fazem parte de muitos atos da vida do homem, seja do mais rude ao mais instruído. São sempre de caráter defensivo, respeitadas para evitar um mal ou algo não desejado.
Há crendices que não implicam em medo ou defesa de algum mal, como por exemplo a ingestão de certos alimentos na ceia de Ano Novo ou a criança jogar o dente de leite no telhado para obter dentes fortes.